terça-feira, 30 de outubro de 2007

A vida após Bebel

Blog com esse nome dura 9 meses. Daí que eu criei outro blog

http://vidaposbebel.blogspot.com/

Passem por lá pq esse aqui caducou.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Bebel do lado de fora




Dia 09/10/2007 nasceu a minha primeira filha, fruto muito esperado de uma relação amadurecida, com um cara que estava louco para ser pai. A gravidez foi tranqüila, festejada por várias avós e bisavós de primeira viagem. Falar sobre o nascimento de crianças sem recorrer a clichês é difícil até pq nascem bbs desde sempre. Falar da minha experiência, inédita para mim e minha família é emocionante, pelo menos para nós.

Izabel nasceu saudável. Não há palavras para descrever a emoção de quando escutei o chorinho dela pela primeira vez. Eu estava meio dopada da anestesia mas consciente. Enquanto era cortada e costurada só sentia uma bem venturança. Quando a trouxeram e colocaram do lado do meu rosto, ela parou de chorar na hora. Eu queria ver a carinha dela, mas não deu e esse primeiro contato foi só de pele, de cheiro, primitivo. O pai levou a menina ao berçário e decididamente acabou com o medo que tinha de não saber segurar a filha.

A recuperação da cesária é dureza. A mente quer pegar e criança, embala-la mas o corpo não deixa. Delegar é foda. Nos meus sonhos, as famílias só seriam avisadas uns 2 dias depois, quando o pai e eu já estivéssemos aclimatados às boas novas, mas não é isso o que acontece. A horda enlouquecida invade o quarto, dá palpites, põe agasalhos, querem ver o espetáculo da amamentação. Todo mundo super bem intencionado, querem ajudar na minha recuperação, me dar comida na boca, me ajudar a ir no banheiro, ver os pontos, coisa horrorosa. O nascimento de uma criança de cara já ensina a virtude da paciência. Como forma de me consolar, pensava o todo momento em como gostaria de ser tratada quando for avó e o que não farei com minha filha e nora quando as coitadas estiverem se recuperando do parto.

Há coisas que a gente só descobre que existe depois da gravidez. A cinta modeladora é uma delas. Parecida com um aparato pré-revolução feminista, é indicada para que sua barriga não vire um avental depois do parto. Tem quem fale que não adianta nada, mas por via das dúvidas comprei uma. Coloca-la é um capítulo à parte. Vem enfermeira, vem assistente, puxa dali, estica daqui e eu só pensava: eu ficava um mês sem tomar banho ou meu marido ia ter que me ajudar a coloca-la em casa. .

Amamentação é um capítulo à parte. Nos vários cursos que freqüentei fui informada que era “só” fazer tal e tal coisa que a amamentação seria tudo aquilo que a gente vê nas imagens idílicas de mãe e bebê em perfeita comunhão. Nos primeiros dias tudo bem, ela ainda estava sem forças direito. Quando chegamos em casa é que o suplício começou. Imagine que você dê um topada na quina da parede, uma joelhada na gaveta aberta, solte aquele palavrão, dói e passa. Imagina agora que você sabe que vai dar outra topada dali a 4 horas, dali a 8, dali a 12 horas infinitamente. Agora que, sem a topada, seu neném indefeso vai ficar faminto, que sua sogra está na sua casa, cheia de boas intenções e avaliando todos os seus atos para saber se você não vai matar a netinha dela. Amamentação, em seus primeiros dias é isso. Não se enganem. Aí começam os conselhos: salsinha, cicatrizante, outro cicatrizante, bico de silicone. De qualquer maneira, a natureza é sábia. Alguns momentos de dores excruciantes que, felizmente passam e dá para suportar o resto da mamada. O que ajudou foi que o tempo todo acreditei que aquilo ia passar com o tempo, senão a humanidade tinha se extinguido. De fato vem melhorando. O tal bico de silicone ajuda bastante também. Agora está só ficando a parte boa, da comunhão entre mãe e filha, sem palavras, de puro prazer.

Acordar de madrugada é outro capítulo. Parti do pensamento mágico de que aquilo não ia acontecer comigo. Minha filhinha viria com um botão de liga-desliga para dormir de 22 às 6 hs. Felizmente Izabel dorme muito bem, acorda no máximo 2 vezes por noite e com 15 dias, tem dormido cada vez mais à noite. Mas daí para dormir a noite toda vai uma diferença. Um bebezinho acordar de madrugada acontece em duas modalidades: arrulhos e berreiro. Das duas vezes dá para acordar sobressaltada: “minha filha está respirando?”. O primeiro impulso é pegar a menina no colo, beija-la, falar que ela a coisa mais importante da sua vida, que você está lá o tempo todo e para sempre, etc. É importante se controlar para tentar garantir qualidade de vida no futuro. Na maioria das vezes, ela arrulha, mia e dorme de novo. Nada que necessite da intervenção parental. Na hora do berreiro, é fome e fralda. Dá para resolver em no máximo 40 minutos e dormir de novo.

Bebês tem superpoderes. O primeiro superpoder são olhos enormes, estilo Gato de Botas do Shreck. Inspiram a mais irracional das ternuras e dá vontade de só falar: sim, sim, sim. O outro superpoder, utilizado quando o primeiro falha é o berreiro. Inacreditável como pode ser alto, doloroso e inspirar sofrimento em todos ao redor. O terceiro, que se desenvolve com o tempo, é o sorriso. Izabel ainda não sorri deliberadamente, mas já esboça instintivamente um sorrisinho de derreter coração de pedra. Dá até medo.

Muitas amigas falaram que quando o bb nasce, a gente fica meio leoa com o marido e com as pessoas em geral. Não se quer dividir o MEU neném com seja lá quem for. Isso é fato. Com o marido não, pq não basta ser pai, tem que participar. Com as avós e bisas, apesar de exigir mais paciência, dá para dividir (menos se elas querem encher a menina de agasalho quando está 37°). Mas com as outras pessoas que querem pegar a menina com mãos que andaram sabe-se lá onde, é difícil. Não deixo, sou antipática mesmo com a minha crença de que é necessária coexistência pacífica com vírus e bactérias.

Os dias da licença maternidade são de paraíso na Terra. Estou seguindo o ritmo de um bebê, a gente dorme, acorda, cuida, come em ciclos de 3/ 4 horas. Como ela dorme grande parte do dia, dá para estudar, ler o jornal, passear na internet, cuidar do marido. Dá para tirar uma soneca à tarde juntinhas. Não tem nada melhor. Às vezes dá a impressão que o mundo lá fora não existe. Na verdade, a minha atividade preferida, quando não estou cuidando do neném, é ficar olhando para ela, embasbacada. Muito melhor que todos os filmes que ganharam o Oscar. Bebel dormindo, bocejando, de olhinho aberto, espreguiçando... Horas e horas. Eu, que sempre amei a minha imagem em fotografias, só tiro fotos dela e mando para todo mundo, pq há coisa mais interessante no mundo?

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Liberdade, liberdade


Hoje, às 11:52, coloquei um ponto final no projeto de pesquisa que tenho que apresentar para a qualificação do mestrado. Tudo bem que ainda falta apresenta-lo no dia 04/10, mas agora só devo mexer nas vírgulas e nos 1.001 errinhos de ABNT remanescentes. Nada que exija muito esforço intelectual, complexas pesquisas bibliográficas e intermináveis horas nos sites da Capes, Ebsco e Google artigos.

A sensação de liberdade é extasiante e só será maior em 04/10 às 18:00 hs, depois da banca, quando finalmente entrarei de licença maternidade psicológica. O nascimento da minha filha está previsto para semana que vem e ela tem se comportado maravilhosamente bem, não nascendo antes da defesa do projeto.

Ainda não sei o que fazer com o tempo livre e a falta de culpa. Dormir, assistir Oprah, dar um pulinho no clube sem que isso provoque um cataclisma pq não estou estudando sobre competências, desempenho e Conselhos Tutelares. A vida é boa.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Quem manda na casa


Saiu reportagem da Folha que IBGE identificou em pesquisa que 30% das mulheres brasileiras são chefes de família. A questão suscitou debate: “O que é ser chefe de família?”. Se o critério for quem é responsável pela maior parte da renda, vivo num patriarcado. Se o critério é quem decide pelos investimentos familiares, aí a coisa muda. De acordo com a pesquisa, o critério é auto-declarativo então nós dois concordamos que a chefe sou eu. O que meu marido identifica como “mandar”, eu percebo como “sugerir com alto grau de assertividade”. A coisa toda funciona muito bem. Ele não precisa nunca se preocupar com a engenharia doméstica: empregada, supermercado, reforma de casa, compra de carro, etcs. e em troca, não questiona o meu modus operandi. Na verdade, vivemos em agradável monarquia constitucional e eu sou a primeira ministra.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Sacola de feira


Acho que foi depois que fiquei grávida que tomei birra das sacolinhas de plástico que são distribuídas aos bilhões em estabelecimentos comerciais. Parecem gratuitas pois os atendentes e consumidores embrulham e reembrulham os seus produtos em várias delas. No sacolão da esquina, quem compra R$3,00 em frutas e legumes, sai levando umas 5 sacolinhas. No Mart-Plus, clientes e ensacadores embrulham cada item da compra em uma sacola diferente.

Comprei uma sacolona colorida (R$8 no centro, R$ 6 no mercado central) que levo dentro da bolsa. Se vou ao supermercado, locadora, drogaria, coloco tudo dentro dela. Lembrei depois, com certa nostalgia, que a sacola é igual a que a minha mãe levava para a feira do bairro que acontecia no século passado. Essas sacolas de feira foram substituídas pelas de papel e mais tarde pelas de plástico, que duram pelo menos 500 anos no meio ambiente e menos de 1 semana nas nossas casas.

Quando dispenso a sacolinha de plástico, atendentes e às vezes as pessoas atrás na fila me olham com um olhar compungido tipo: coitada, não está usando a lei de Gerson (aquela que diz que a gente tem que tirar vantagem em tudo). Atenção empresas: dêem desconto para seus consumidores conscientes que querem diminuir o emporcalhamento do meio ambiente pelo próximo milênio! Atenção legislativo: criem leis para incentivar a diminuição do uso dessas sacolas de plástico!

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Primeiro "senhora"


Primeiro “senhora” a gente nunca esquece. Às vésperas de fazer 30 anos, um aluno cabeludo perguntou: “Professora, o que a senhora acha de?...” . O meu primeiro pensamento foi: “Quem? A minha mãe?”. Casada, grávida e professora eu acumulo características de senhora e definitivamente já sou uma, mas escutar, assim, na bucha, foi uma surpresa.

As pessoas com as quais estabeleço relação de prestação de serviço já me chamavam de senhora ou pior, de dona. Esse tipo de relação de trabalho funciona melhor com um certo grau de formalismo, ao qual o termo “senhora” se adequa bem. No interior, ás vezes me chamavam de “doutora” por eu ser psicóloga, mas sempre rejeitei o título rindo e falando que eu não tenho doutorado ainda. Tem quem entendia, tem quem não, paciência.

O “senhora” vindo dos alunos, alguns da minha idade ou mais velhos é que foi sentido como um divisor. O que quer dizer “ser uma senhora”? Revi as minhas representações sobre o tema e me preparei psicologicamente para incorporar essa nova persona. Uma senhora não pode falar besteira, tem que dar bom exemplo, tem que vestir-se de maneira recatada e elegante, não pode rir escandalosamente ou falar palavrão. Uma senhora é alguém ponderada, que nunca radicaliza em público, que sabe escutar e geralmente tem uma palavra mediadora. Uma das vantagens de ser senhora é que deu tempo de aprender alguma coisa sobre o que as pessoas querem dizer quando não dizem nada.

Tudo tem sua hora e lugar. Na intimidade, dá pra ser eu mesma. Como senhora não. Há responsabilidades e protocolos a serem seguidos.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Minha opinião sobre uma pancinha masculina

Adoro. O homem ideal, o pai da minha prole tem que passar a impressão que pode sair a qualquer momento da caverna e voltar com um mamute de 300 kgs nas costas. O que não tem nada a ver com barrigas tanquinho, glúteos, bíceps e tríceps bem definidos. Aliás, do meu ponto de vista, esse estilo meio pit boy conta ponto contra. Um adônis musculoso provavelmente passou 2 horas na academia e tomou umas bombas com conhecidos efeitos colaterais. Esses sempre dão aquela coceira atrás da orelha: "Será que é gay?". Gosto é gosto, mas se eu cheguei a pensar isso de um cara, ele já não serve para mim. Nada como a pança fofinha de um homem dionisíaco, que nunca, em hipótese alguma, vai falar: " vamos comer uma salada de folhas e pular a sobremesa". Ou pior: "você precisa dar uma melhorada nesses abdominais." Isso só os purpurinados poderiam falar. O homem lindo aos meus olhos é como o meu marido, masculino e fofinho, dá pra caber dentro dos braços dele e achar que Isabel e eu estamos protegidas de todos os perigos do mundo. Esse tipo de homem tem pancinha e não se preocupa com a calvície.